As plantas medicinais mais fáceis de cultivar em casa são as que já se adaptam bem a vaso e ao clima da maior parte do Brasil: babosa, capim-limão, erva-cidreira, boldo, guaco, camomila e calêndula. Todas crescem em vasos médios ou num canteiro pequeno, pedem pouca manutenção e se multiplicam com facilidade. Este texto trata do cultivo. O uso de qualquer planta como remédio, inclusive em chás, deve ser conversado com um médico ou farmacêutico, principalmente no caso de gestantes, crianças, pessoas que tomam medicamentos e pessoas com doenças crônicas.
Dois cuidados valem para todas. O primeiro é a identificação: nomes populares mudam de região para região, e a mesma palavra pode designar plantas diferentes. Compre mudas de fornecedor que informe o nome científico. O segundo é a segurança da casa: várias dessas plantas fazem mal a cães e gatos se forem mastigadas, e o mais prudente é mantê-las fora do alcance de pets e de crianças pequenas e confirmar com o veterinário antes de colocá-las onde os animais circulam.
Antes de comprar as mudas, divida o espaço por luz e por água. Babosa, capim-limão, erva-cidreira-de-arbusto, boldo e calêndula vão para o ponto de mais sol. Melissa e guaco ficam onde o sol é mais brando. Agrupar plantas de necessidades parecidas facilita a rega: a babosa, que gosta de secar, não deve dividir o vaso nem a rotina de rega com a melissa, que pede umidade constante.
Para secar folhas e flores colhidas, o método é o mesmo das ervas aromáticas: ramos pequenos em local sombreado, seco e ventilado, longe do sol direto, guardados depois em pote bem fechado.
1. Babosa
A babosa (Aloe vera) é uma suculenta de folhas grossas e serrilhadas, que armazena água nas folhas.
- Luz: sol pleno ou meia-sombra clara. Em sol muito forte, as folhas podem ficar avermelhadas, o que é uma reação ao estresse e não necessariamente doença.
- Água: pouca. Regue só quando o substrato estiver seco em profundidade.
- Vaso: mais largo que fundo, com furos e substrato bem drenante, com areia grossa ou casca de arroz carbonizada.
- Propagação: pelas mudinhas que nascem na base da planta-mãe, separadas com um pouco de raiz.
Colheita: retire as folhas mais externas, cortando rente à base, e deixe sempre as folhas do centro, que garantem o crescimento.
Erro mais comum: regar demais. A base das folhas amolece e apodrece. Em vasos com pratinho, esvazie o pratinho depois da rega.
Cuidado: a babosa é tóxica para cães e gatos quando ingerida. Mantenha fora do alcance.
2. Capim-limão
O capim-limão (Cymbopogon citratus), também chamado de capim-santo ou capim-cidreira, forma touceiras de folhas longas e aromáticas.
- Luz: sol pleno. Na sombra, cresce fraco e com menos aroma.
- Água: regular, sem encharcar. Tolera períodos curtos de seca depois de estabelecido.
- Vaso: grande, a partir de 20 litros, porque a touceira cresce bastante. No canteiro, reserve espaço de pelo menos meio metro.
- Propagação: por divisão de touceira. Separe um perfilho com raízes, corte as folhas pela metade e plante.
- Colheita: corte as folhas a um palmo do chão, deixando a base para rebrotar.
Erro mais comum: vaso pequeno. A touceira fica apertada, as folhas secam nas pontas e a planta para de crescer. Divida a touceira a cada um ou dois anos.
Cuidado: as bordas das folhas são ásperas e podem cortar a pele. Use luvas para colher e dividir. O capim-limão também está entre as plantas que podem causar mal-estar em cães e gatos. E não o confunda com a citronela, uma planta parecida, do mesmo gênero, que é outra espécie e não deve ser usada no lugar dele.
3. Erva-cidreira
Aqui o nome confunde de verdade. Duas plantas bem diferentes são chamadas de erva-cidreira no Brasil:
- Melissa (Melissa officinalis): planta baixa, de folhas verdes, enrugadas e com bordas serrilhadas, parecida com uma hortelã. Prefere meia-sombra, umidade regular e clima ameno; no calor forte e no sol pleno, murcha e queima. Vai bem em vaso médio, de 5 a 10 litros.
- Erva-cidreira-de-arbusto (Lippia alba): arbusto que pode passar de um metro, com ramos longos e flores lilás pequenas. Prefere sol pleno, tolera calor e cresce em vasos grandes ou no canteiro. Multiplica-se facilmente por estaquia.
Erro mais comum: comprar uma pensando que é a outra e cultivá-la no lugar errado. Confira o nome científico e, se a planta murcha no sol da tarde, provavelmente é melissa.
4. Boldo
O boldo cultivado em casa no Brasil é, quase sempre, o Plectranthus barbatus, conhecido como boldo-brasileiro ou boldo-de-jardim, uma planta de folhas grossas, aveludadas e aromáticas. Ele não é a mesma planta que o boldo-do-chile (Peumus boldus), uma árvore, cujas folhas secas são vendidas em sachês.
- Luz: sol pleno a meia-sombra.
- Água: moderada. As folhas carnudas toleram alguns dias sem rega.
- Vaso: médio a grande. A planta forma um arbusto que pode chegar a um metro.
- Propagação: estaquia de ponteiros, que enraízam com facilidade em substrato úmido.
Colheita: colha folhas dos ponteiros, o que já funciona como poda de condução.
Erro mais comum: não podar. A planta fica alta, com ramos compridos e folhas só nas pontas. Pode os ponteiros com frequência para manter a planta compacta.
Cuidado: o boldo-brasileiro é sensível a geada. Em regiões frias, mantenha o vaso protegido no inverno.
5. Guaco
O guaco (Mikania glomerata) é uma trepadeira nativa do Brasil, de folhas verde-escuras, brilhantes e em formato de coração alongado.
- Luz: meia-sombra ou sol da manhã. No sol forte o dia todo, as folhas tendem a amarelar.
- Água: regular, mantendo o substrato levemente úmido.
- Vaso: grande, de 20 litros ou mais, com uma treliça, tela ou cerca para a planta subir. No chão, cresce com vigor e pode cobrir um muro.
- Propagação: estaquia de ramos semilenhosos, com dois ou três nós, em substrato úmido e à sombra até enraizar.
- Colheita: retire folhas maduras, sem desfolhar um mesmo ramo inteiro.
Erro mais comum: não oferecer apoio. Sem ter onde subir, a planta se enrosca em si mesma, abafa o centro e perde folhas.
Cuidado: existem espécies parecidas de Mikania, e a confusão é comum em mudas vendidas sem identificação. Prefira fornecedores que informem o nome científico.
6. Camomila
A camomila mais cultivada (Matricaria chamomilla) é uma planta anual, de porte baixo, com flores pequenas de centro amarelo e pétalas brancas.
- Luz: sol pleno, de preferência na parte fresca do dia.
- Época: prefere os meses frescos. No calor, floresce pouco e encerra o ciclo rápido. Confira a época no calendário de plantio por região adaptado ao seu clima.
- Semeadura: as sementes são muito pequenas e precisam de luz para germinar. Espalhe sobre o substrato úmido e apenas pressione, sem cobrir com terra.
- Vaso: jardineira ou vaso raso e largo.
- Colheita: colha as flores quando estiverem bem abertas, em dia seco, e seque à sombra, em local ventilado.
Erro mais comum: enterrar as sementes. Coberta de terra, a semeadura falha quase por inteiro.
Cuidado: pessoas alérgicas a plantas da família das margaridas podem reagir à camomila. Consulte um profissional de saúde antes de usar.
7. Calêndula
A calêndula (Calendula officinalis) é uma planta anual de flores laranja ou amarelas, muito usada também como ornamental e como atrativo de insetos úteis na horta.
- Luz: sol pleno.
- Época: vai melhor nos meses frescos; no calor intenso, floresce menos.
- Vaso: médio, de 3 a 5 litros por planta, ou entre as hortaliças no canteiro.
- Semeadura: as sementes são grandes, curvas, e germinam bem semeadas direto no vaso, cobertas com pouca terra.
- Colheita: retire as flores abertas com frequência; isso estimula a planta a produzir novas.
Erro mais comum: deixar as flores secarem na planta. Ela forma sementes e encerra a floração mais cedo.
Vantagem extra: as flores atraem moscas-das-flores e outros insetos úteis, como explicado em inimigos naturais das pragas na horta. Num canteiro de hortaliças, a calêndula funciona bem como planta companheira.