Quando a irrigação por gotejo da horta molha bem o começo da linha e deixa as plantas do fim com sede, ou quando alguns gotejadores param de pingar, as causas mais prováveis são pressão inadequada, linha comprida demais para o tipo de gotejador e falta de filtro. Já planta murcha com o sistema funcionando costuma indicar que a água não chega à raiz, seja pela distância do gotejador, seja pelo tempo curto de rega. Todos esses problemas têm diagnóstico simples, com um teste de vazão feito com copos, e a maioria se resolve com ajustes de planejamento, e não trocando o sistema.

Teste rápido para descobrir onde está o problema

Antes de mexer no sistema, meça. Coloque copos iguais embaixo de alguns gotejadores: no começo da linha, no meio e no fim, e em linhas diferentes. Ligue a irrigação por um tempo fixo, por exemplo dez minutos, e compare o volume em cada copo.

  • Volumes parecidos em todos os copos: o sistema está uniforme; se as plantas sofrem, o problema é o tempo de rega ou a posição dos gotejadores.
  • Volume caindo do começo para o fim: perda de pressão ao longo da linha.
  • Copos quase vazios em pontos isolados: gotejadores entupidos.
  • Volume maior nos pontos mais baixos do terreno: efeito do desnível.

Um exemplo hipotético: numa horta com uma única linha de 25 metros, os copos do começo enchem quase até a borda em dez minutos, os do meio ficam pela metade e os do fim, com pouco mais que um dedo de água. As plantas do fim da linha são justamente as que amarelam e murcham à tarde. O teste aponta para perda de pressão, e não para doença ou falta de adubo.

Causa 1: perda de pressão em linhas longas

A água perde pressão conforme percorre a mangueira. Em linhas compridas ou muito ramificadas, o final recebe menos água que o início. O efeito aumenta quando a mangueira é fina e quando há muitos gotejadores numa só linha.

Como corrigir: divida a horta em setores menores, alimentados a partir de uma linha principal mais grossa, e evite linhas laterais muito longas. Alimentar a linha pelo meio, em vez de por uma ponta, também ajuda. Se a perda continuar, use gotejadores autocompensantes, que mantêm vazão parecida numa faixa de pressão indicada pelo fabricante.

Causa 2: pressão alta ou baixa demais na entrada

Sistemas de gotejo trabalham com pressão baixa. Ligados diretamente na torneira da rua, podem soltar conexões e estourar mangueiras. Ligados numa caixa d'água pouco elevada, podem não ter pressão suficiente para gotejadores autocompensantes, que precisam de uma pressão mínima para funcionar.

Como corrigir: na torneira, use um regulador de pressão compatível com o sistema. Na caixa d'água por gravidade, prefira gotejadores e fitas próprios para baixa pressão e eleve a caixa o quanto for possível com segurança. As especificações de pressão de cada peça estão na embalagem ou no catálogo do fabricante.

Causa 3: gotejadores entupidos

O gotejador tem passagens muito pequenas. Areia, partículas de ferrugem, algas e depósitos de calcário entopem esses caminhos aos poucos. Sistemas que usam água de poço, de cisterna ou da chuva entopem mais rápido que os ligados à rede.

Como corrigir: instale um filtro de tela ou de disco logo depois da torneira ou da caixa, e limpe-o com frequência. Use reservatórios tampados e opacos, para evitar algas. Abra as pontas das linhas periodicamente e deixe a água correr alguns segundos para expulsar a sujeira acumulada no fim. Gotejadores muito entupidos podem ser desmontados e lavados, quando o modelo permite, ou substituídos.

Causa 4: a água não chega à raiz

O gotejo molha um volume de solo em forma de bulbo abaixo de cada gotejador. Em solo arenoso, esse bulbo é estreito e fundo; em solo argiloso, é mais largo e raso. Se o gotejador fica longe do caule, ou se a planta cresceu e as raízes ocupam uma área maior que o bulbo, parte das raízes fica seca.

Como corrigir: posicione os gotejadores perto da base das plantas no transplante e aumente o número de pontos conforme elas crescem, principalmente em frutíferas e hortaliças grandes. Em solo arenoso, gotejadores mais próximos entre si formam uma faixa contínua de umidade. Para conferir, cave um pequeno buraco a alguns centímetros do gotejador uma hora depois da rega e veja até onde a terra está úmida.

Causa 5: tempo de rega errado

Rega curta demais molha só a superfície. Rega longa demais encharca o fundo, tira o ar das raízes e lava nutrientes. Os dois casos podem produzir murcha e folhas amareladas, o que confunde o diagnóstico.

Como corrigir: use o teste do buraco para ajustar o tempo. Comece com regas que umedeçam a zona das raízes e espere a superfície secar levemente antes da próxima. Ajuste conforme a estação: no calor e com vento, a horta pede mais água; em dias nublados e frios, bem menos. Um temporizador ajuda a manter regularidade, mas precisa ser revisto quando o tempo muda.

Causa 6: vazamentos e conexões soltas

Esguichos, poças em pontos fixos e queda de pressão repentina indicam conexões soltas ou mangueiras furadas. Ferramentas de capina, roedores e o próprio sol, que resseca mangueiras de baixa qualidade, são causas frequentes.

Como corrigir: percorra as linhas com o sistema ligado depois de qualquer trabalho no canteiro. Cubra as mangueiras com palha, o que protege do sol e ainda reduz a evaporação da água no solo.

Como planejar o gotejo para evitar esses problemas

  1. Desenhe a horta e meça as distâncias. Defina setores com linhas curtas, agrupando plantas de necessidade de água parecida.
  2. Verifique a fonte de água. Rede, caixa d'água ou água da chuva pedem peças diferentes para a pressão disponível.
  3. Coloque filtro sempre. É a peça que mais evita manutenção.
  4. Escolha gotejador ou fita conforme o cultivo. Fitas e mangueiras gotejadoras servem bem a canteiros de hortaliças em linha; gotejadores individuais, a vasos e frutíferas.
  5. Teste com copos ao montar e a cada estação.

A água da chuva pode abastecer o sistema; veja como montar a captação em como captar água da chuva para regar a horta. Para vasos individuais, a rega por capilaridade com pavio é uma alternativa mais simples ao gotejo. E a cobertura do solo, que reduz a necessidade de água, faz parte do manejo descrito em como recuperar terra fraca no quintal ou sítio.