Para montar uma aquaponia pequena em casa, você precisa de um tanque para os peixes, uma cama de cultivo com argila expandida colocada acima do tanque, uma bomba submersa que leva a água do tanque para a cama e um retorno por gravidade para a água voltar. Antes de colocar os peixes, o sistema passa por algumas semanas de ciclagem, para formar as bactérias que transformam os resíduos dos peixes em nutrientes para as plantas. Comece com folhosas e ervas, poucos peixes e alimentação moderada. Os cuidados mais importantes são a instalação elétrica da bomba, o peso da água e nunca usar produtos para pragas no sistema.
Passo 1: entenda como o sistema funciona
Os peixes produzem resíduos ricos em amônia, que em excesso é tóxica para eles. Bactérias que vivem na argila expandida e nas superfícies do sistema transformam a amônia em nitrito e, depois, em nitrato, que as plantas absorvem como nutriente. Ao absorver o nitrato, as plantas limpam a água, que volta ao tanque.
Esse ciclo explica as regras do sistema: sem bactérias, a amônia se acumula e os peixes sofrem; com peixes demais ou comida demais, as bactérias e as plantas não dão conta; e qualquer produto que mate bactérias ou peixes derruba o sistema inteiro.
Passo 2: escolha o lugar
A cama de cultivo precisa de luz: pelo menos meio período de sol direto, ou luminária de cultivo se o sistema ficar em área coberta. O tanque, ao contrário, deve ficar protegido do sol direto, que esquenta a água e favorece algas.
Considere o peso. Cada litro de água pesa cerca de 1 kg, e a argila molhada também pesa. Um tanque de 100 litros cheio, com a cama de cultivo, passa facilmente de 150 kg. Monte o sistema no chão, sobre piso firme. Em varandas e lajes, consulte o síndico e um profissional habilitado antes.
Passo 3: separe os materiais
- Tanque: caixa plástica de uso alimentar, bombona cortada ou aquário, de 80 a 200 litros para um sistema pequeno.
- Cama de cultivo: caixa plástica rasa e resistente, de 20 a 30 cm de profundidade, com área parecida com a do tanque.
- Substrato: argila expandida lavada. Ela não altera a água e oferece superfície para as bactérias.
- Bomba submersa: de aquário ou de fonte, com vazão suficiente para circular o volume do tanque algumas vezes por hora, segundo a indicação do fabricante.
- Mangueira, conexões e ralo: para levar a água à cama e para o retorno.
- Kit de testes de aquário: para amônia, nitrito e pH.
Passo 4: monte a estrutura
Coloque a cama de cultivo sobre um suporte firme, acima do tanque ou ao lado, numa altura que permita a água voltar por gravidade. Faça um furo no fundo da cama para o retorno, com um ralo ou uma conexão vedada. Dentro da cama, sobre o ralo, coloque uma proteção de tela para a argila não descer pelo cano.
Há duas formas comuns de controlar a água na cama. Na mais simples para começar, a bomba funciona com um temporizador, enchendo a cama por alguns minutos e deixando-a drenar em seguida. Na outra, um sifão automático instalado na cama esvazia a água quando ela atinge certo nível. As duas mantêm as raízes ora úmidas, ora com ar, o que é importante para elas.
Passo 5: cuide da parte elétrica
A bomba é um equipamento elétrico funcionando dentro da água. Ligue-a em tomada adequada, protegida da chuva e de respingos, e evite extensões improvisadas e emendas. Faça uma curva no fio antes da tomada, para que a água que escorrer pelo fio pingue no chão, e não entre na tomada. O ideal é que o circuito tenha proteção contra choque, com dispositivo DR. Se for preciso instalar tomada nova ou verificar o circuito, chame um eletricista.
Passo 6: encha e faça a ciclagem
Lave bem a argila e encha a cama. Encha o tanque com água e, se a água da torneira tiver cloro, use um condicionador de água para aquário, seguindo o rótulo. Ligue a bomba e confira se a água circula sem vazamentos.
A ciclagem é o período em que as bactérias se estabelecem. O caminho mais seguro para quem começa é colocar poucos peixes, alimentá-los com moderação e acompanhar a amônia e o nitrito com o kit de testes, várias vezes por semana. Esses valores sobem no começo e depois caem, quando as bactérias se estabelecem. O processo costuma levar algumas semanas. Se os testes indicarem valores altos, reduza a comida e faça trocas parciais de água.
Passo 7: escolha os peixes
Para um sistema pequeno e doméstico, prefira peixes resistentes e de fácil manejo. Peixes ornamentais, como o kinguio, são comuns em aquaponia caseira voltada para as plantas. Algumas espécies criadas para consumo, como a tilápia, exigem volume maior e, em vários estados, têm regras de criação. Antes de escolher, confirme as regras com o órgão ambiental do seu estado. Nunca solte peixes em rios, lagos ou córregos.
Observe o comportamento dos peixes nos primeiros dias. Peixes saudáveis nadam ativamente, comem com vontade e não ficam parados na superfície. Mudanças bruscas de temperatura estressam os peixes; por isso, ao colocá-los no tanque, deixe o saco em que vieram boiando na água por um tempo, para as temperaturas se igualarem, antes de soltá-los. Proteja o tanque com tampa ou tela, para evitar que peixes pulem para fora e que folhas, insetos e animais caiam na água.
Comece com poucos peixes em relação ao volume do tanque. É muito mais fácil aumentar depois que o sistema estabiliza do que corrigir uma superlotação.
Passo 8: plante as primeiras culturas
As melhores plantas para começar são as folhosas e as ervas: alface, rúcula, agrião, cebolinha, manjericão e hortelã. Elas crescem bem com os nutrientes de um sistema recém-montado. Tomate, pimenta e morango pedem mais nutrientes e costumam ir melhor quando o sistema já está maduro, depois de alguns meses.
Suponha um sistema hipotético com tanque de 100 litros e uma cama de cultivo de 60 cm por 80 cm. Nos primeiros meses, ele comporta bem alguns pés de alface, um maço de cebolinha e um manjericão. Se as folhas novas começarem a nascer pálidas mesmo com os peixes saudáveis, o sistema pode estar com poucos nutrientes para a quantidade de plantas: em vez de adicionar adubo, reduza o número de plantas ou espere o sistema amadurecer.
Plante mudas com o torrão lavado, sem terra, firmando-as entre as bolinhas de argila. Terra no sistema entope ralos e turva a água.
Passo 9: alimente os peixes com moderação
A comida dos peixes é a fonte de nutrientes de todo o sistema, e o excesso é a causa mais comum de problemas. Dê porções que os peixes consumam em poucos minutos e retire o que sobrar. Ração apodrecendo no fundo vira amônia.
Passo 10: faça a manutenção e evite produtos
- Toda semana: confira o funcionamento da bomba, o nível da água e o comportamento dos peixes. Complete a água evaporada.
- A cada poucas semanas: limpe o pré-filtro da bomba e confira os ralos.
- Pragas nas plantas: retire à mão, use jato de água ou remova as folhas afetadas. Nunca aplique inseticidas, fungicidas ou caldas no sistema, nem mesmo os vendidos como naturais. Eles podem matar os peixes e as bactérias.
- Sinais de alerta: peixes na superfície buscando ar, água com cheiro forte ou plantas amarelando todas ao mesmo tempo. Teste a água, reduza a comida e verifique a bomba.
Se a ideia é só cultivar folhosas sem peixes, a hidroponia é mais simples; compare com a horta hidropônica em apartamento. Para encher e completar o tanque, a água da chuva captada é uma opção, desde que limpa; veja como captar água da chuva para regar a horta. E, se o sistema ficar em área com pouca luz, os ajustes de luz LED para horta dentro de casa se aplicam à cama de cultivo.