Os sete temperos mais fáceis de manter em vaso são manjericão, cebolinha, salsinha, alecrim, hortelã, orégano e tomilho. Eles se dividem em dois grupos com necessidades quase opostas: manjericão, cebolinha, salsinha e hortelã gostam de substrato sempre levemente úmido, enquanto alecrim, orégano e tomilho preferem sol forte e terra que seca entre as regas. Saber em que grupo cada um está evita o erro que mais mata tempero em casa, que é regar todos do mesmo jeito. Numa varanda, vale agrupar os vasos por regime de rega: os que gostam de umidade num ponto, os de solo seco no lugar de sol mais forte. Estas dicas para hortas urbanas em espaços pequenos ajudam a distribuir os vasos por parede e prateleira. Abaixo, cada planta com o que ela pede, como colher e o deslize mais frequente.

Antes da lista, um cuidado que vale para todas: algumas dessas ervas fazem mal a cães e gatos quando ingeridas, e o aviso aparece no item de cada uma. Mesmo as consideradas de baixa toxicidade podem causar enjoo ou vômito se o animal comer bastante. Se o seu pet costuma mastigar plantas, mantenha os vasos em lugar alto ou fora do acesso dele e, se houver ingestão em quantidade, procure um veterinário.

1. Manjericão

O manjericão quer calor, sol e umidade constante. Pede pelo menos quatro a seis horas de sol direto, um vaso de uns 3 a 5 litros por planta e rega sempre que a superfície do substrato começar a secar. É sensível ao frio: em regiões com inverno rigoroso, costuma ser tratado como planta de primavera e verão, e muita gente replanta a cada ano.

Como começar: a semente germina com facilidade em substrato úmido, mas a muda comprada pronta encurta bastante a espera pela primeira colheita. Em clima quente, o manjericão também enraíza bem por estaca: um ramo sem flor, com as folhas de baixo retiradas, colocado num copo com água até soltar raízes e depois plantado no vaso.

Erro mais comum: deixar a planta florescer. Quando surgem as espigas de flores no alto dos ramos, a planta passa a investir nelas, as folhas ficam menores e o ciclo se encurta. Corte as pontas com flor assim que aparecerem.

Como colher: corte o ramo logo acima de um par de folhas, e não folha por folha de baixo. Esse corte faz a planta soltar dois ramos novos ali, e ela fica mais cheia. Para cães e gatos, o manjericão costuma ser considerado de baixa toxicidade.

2. Cebolinha

A cebolinha é das mais tolerantes da lista. Aguenta meia-sombra, com três a quatro horas de sol, e cresce bem em vasos ou jardineiras de uns 15 cm de profundidade. Gosta de umidade regular, sem encharcamento. Forma touceiras que vão engrossando com o tempo.

Como começar: o jeito mais rápido é aproveitar a cebolinha comprada na feira com raiz. Corte as folhas, deixe uns 5 cm de base com as raízes e plante no vaso, mantendo o substrato úmido. Em poucas semanas surgem folhas novas. Por semente também funciona, mas demora mais para formar uma touceira que aguente colheitas seguidas.

Erro mais comum: arrancar a planta inteira na colheita. Basta cortar as folhas a uns 2 ou 3 cm acima da base, com tesoura, que ela rebrota em poucas semanas. Quando a touceira ficar apertada no vaso, divida em dois ou três tufos e replante.

Cuidado com pets: a cebolinha, como o alho e a cebola, é tóxica para cães e gatos, mesmo em pequenas quantidades repetidas. Mantenha o vaso fora do alcance dos animais.

3. Salsinha

A salsinha gosta de umidade constante, de sol suave e de algum descanso nas horas mais quentes: meia-sombra à tarde costuma funcionar bem em lugares de verão forte. Um vaso de uns 20 cm de profundidade comporta a raiz, que é comprida.

Como começar: semeie direto no vaso definitivo, porque a salsinha não gosta de transplante: a raiz comprida se quebra com facilidade quando a muda é mudada de lugar. Espalhe as sementes, cubra com uma camada fina de substrato e, depois da germinação, deixe uns 5 a 10 cm entre as plantas.

Erro mais comum: desistir da semeadura cedo demais. A semente de salsinha demora para germinar, muitas vezes duas a quatro semanas, e muita gente acha que ela não nasceu e mexe no vaso. Deixar as sementes de molho em água por algumas horas antes de semear ajuda, e o substrato precisa ficar úmido o tempo todo até a germinação.

Depois de nascida, a salsinha continua pedindo umidade regular. Para quem passa alguns dias fora de casa, um sistema simples de irrigação por capilaridade para hortas domésticas ajuda com ela, com o manjericão, a cebolinha e a hortelã, mas não serve para alecrim, orégano e tomilho, que precisam secar entre as regas.

Como colher: corte os talos de fora, rente à base, e deixe os do centro crescerem. A salsinha completa o ciclo em cerca de dois anos: no segundo, ela floresce e as folhas perdem qualidade, e é hora de semear de novo. Ingerida em quantidade, pode fazer mal a cães e gatos.

4. Alecrim

O alecrim é planta de sol pleno e de solo seco. Quer pelo menos seis horas de sol direto e um substrato bem drenado, com mais material de aeração do que o usado para folhosas. Um vaso de barro ajuda, porque perde umidade pelas paredes.

Como começar: a semente de alecrim germina devagar e de forma irregular, então a muda pronta ou a estaca costumam ser o caminho mais simples para quem está começando.

Erro mais comum: regar demais. O alecrim tolera bem alguns dias de substrato seco, mas morre com raiz encharcada, e o sintoma engana: as folhas secam e escurecem, parecendo falta de água, quando na verdade a raiz apodreceu. Regue só quando o substrato estiver seco a alguns centímetros de profundidade e nunca deixe água parada no pratinho.

Como colher: corte as pontas dos ramos verdes. Evite cortar fundo na parte já lenhosa, que brota com dificuldade. Ramos de uns 10 cm, tirados das pontas, também servem para fazer mudas novas por estaquia. Para cães e gatos, o alecrim costuma ser considerado de baixa toxicidade.

5. Hortelã

A hortelã gosta de umidade e tolera meia-sombra. É tão vigorosa que o desafio costuma ser contê-la: ela se espalha por ramos que correm na superfície e por baixo da terra.

Como começar: qualquer ramo de hortelã com um pedaço de caule enraíza com facilidade, até num copo com água. Na hora de comprar muda, cheire as folhas: existem muitos tipos de hortelã, com aromas bem diferentes, e vale escolher o que você vai usar na cozinha.

Erro mais comum: plantar junto com outras ervas. Numa jardineira compartilhada, a hortelã toma o espaço das vizinhas em poucos meses. Dê a ela um vaso próprio, de preferência mais largo do que fundo. A cada um ou dois anos, quando o centro do vaso ficar falhado, retire a planta, separe as partes mais novas e replante com substrato renovado.

Cuidado com pets: a hortelã pode causar vômito e diarreia em cães e gatos se ingerida em quantidade. E não confunda com a hortelã-pimenta em óleo essencial: o óleo concentrado é tóxico para gatos e não deve ser usado em difusor perto deles.

6. Orégano

O orégano pede sol forte e substrato que seca entre as regas. Quanto mais sol, mais intenso o aroma das folhas. Cresce espalhado, formando um tapete, e vai bem em vasos largos e rasos ou na borda de jardineiras.

Como começar: a semente é muito pequena e deve ficar só apoiada sobre o substrato úmido, quase sem cobertura. A muda pronta ou a divisão de uma planta já formada são mais rápidas.

Erro mais comum: cultivar à sombra e regar como se fosse manjericão. O resultado é uma planta comprida, com folhas grandes e sem cheiro, e raiz sujeita a apodrecer. Se o seu orégano está assim, mude o vaso para o lugar mais ensolarado e espace as regas.

Como colher: corte os ramos pouco antes da floração, quando o aroma está mais forte. Para secar, amarre os ramos em pequenos maços e pendure em lugar ventilado e sem sol direto. Ingerido em quantidade, o orégano pode causar desconforto digestivo em cães e gatos.

7. Tomilho

O tomilho é o mais exigente em drenagem. Quer sol pleno, vaso com bons furos e substrato leve, e se adapta bem a vasos rasos, porque a raiz não é profunda. Em regiões de verão muito chuvoso e úmido, costuma sofrer, e vale mantê-lo protegido da chuva direta.

Como começar: o tomilho enraíza bem por estaca: corte pontas de ramos ainda verdes, retire as folhas de baixo e plante em substrato leve e apenas úmido, em lugar claro sem sol forte até pegar. A muda pronta também é fácil de achar.

Erro mais comum: plantar no mesmo vaso de ervas que gostam de umidade. Junto da salsinha ou da hortelã, o tomilho recebe água demais e definha. Ele combina com o alecrim e o orégano, que pedem o mesmo regime. Este texto sobre plantas companheiras na agricultura residencial ajuda a pensar quais plantas dividem bem o espaço.

Como colher: corte as pontas dos ramos, sempre deixando boa parte da planta com folhas. Colheitas leves e frequentes mantêm a planta compacta. Para cães e gatos, o tomilho costuma ser considerado de baixa toxicidade.